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  • Criando Crianças Pretas

Anansi: o velho sábio


Há muito tempo, quando não existiam histórias para contar - pois o deus do céu guardava todas elas em um baú de madeira -, a primeira aranha, Kwaku Anansi, percorria o mundo em sua teia sólida. Como vários outros, ela morria de vontade de conhecer essas histórias para desvendar a origem e o fim das coisas. Um dia Anansi resolve pedir permissão ao deus do céu, Nyame, para ter acesso a elas. Nyame desafia a aranha a trazer quatro criaturas inatingíveis - Onini, o píton que engole um homem de uma só vez; Osebo, o leopardo que tem dentes como sabres; Mmoboro, o enxame de zangões que pululam e picam; e Mmoatia, a fada que nunca se vê. Antes de ir atrás de cada um dos seres assustadores, Anansi pede ajuda à mulher, Aso, que sempre lhe diz exatamente o que fazer para capturá-los. Seguindo os conselhos de Aso, a aranha consegue vencer o desafio de Nyame, que, surpreendido, determina que, a partir daquele dia e até o final dos tempos, as histórias do deus do céu pertenceriam à aranha. Espécie de conto dos contos, Anansi mostra como é importante refletir, demonstrar astúcia e saber ouvir os outros, levando em conta, antes de tudo, a opinião das mulheres, sua sabedoria e seu espírito prático. Parte da mitologia axânti, a história da aranha Anansi reflete as crenças e os costumes daquela sociedade, como acontece em todo o continente africano, onde o conhecimento e as tradições se transmitiram oralmente, por meio dos griots, os grandes contadores de histórias.



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